Pergunte a dez homens brasileiros o que vestem na praia e você ouvirá onze respostas — porque alguém muda de ideia no caminho da areia. Mesmo assim, dá para traçar um mapa do verão 2026: sunga em alta no Sudeste, boardshort firme no Sul, bermuda de tactel dominando famílias no Nordeste e o slip discreto reaparecendo onde o calor não negocia.

Passamos duas semanas em quatro estados — Ceará, Bahia, Rio e Santa Catarina — sem câmera de moda. Só olho atento e conversa de barraca.

Nordeste: cor, tactel e praticidade

Em Fortaleza e Porto Seguro, a bermuda de tactel ainda é rei entre quem vem em grupo. É barata, seca rápido, serve para ir da praia ao quiosque. A sunga aparece entre jovens e quem nada de verdade. Cores fortes vendem mais do que no Sul.

Vendedores em Canoa Quebrada relatam aumento de pedidos por peças com bolso lateral — para chave e cartão sem guarda-volumes por perto.

Sudeste: sunga e o retorno do básico

No Rio e no litoral paulista, a sunga lisa escapou do nicho. Boardshort continua como segunda peça na bolsa. Em Búzios, turismo argentino adotou sunga no lugar do bermudão de algodão.

Camiseta UV divide opinião. Quem usa, usa por dermatologista. Quem não usa, não quer parecer recém-chegado de pacote fechado.

Sul: vento, água fria, boardshort resistente

Em Florianópolis, o boardshort de cintura fixa ainda lidera. Água mais fria e vento mudam a lógica: mais tecido, menos exposição. Tecidos grossos e cós com cordão reforçado são diferencial.

Slip: o retorno sussurrado

O slip voltou em praias urbanas sem alarde. Não é maioria, mas deixou de ser piada. Nadadores e quem quer menos atrito na água adotaram o modelo. O tom da conversa sobre discrição mudou: menos moralismo, mais escolha pessoal.

O que une o país

Tecido que seque rápido, preço justo para peça que leva sal toda semana, e liberdade de ir da areia ao bar sem parecer fora de lugar. Moda praia masculina no Brasil é uniforme de férias e, para muita gente, de identidade local.

Na próxima pauta, olhamos como a cultura de verão — e não só a vitrine — manda nessas escolhas. Porque sungas e boardshorts não caem do céu: nascem de futebol de areia, de fila de acarajé na orla e da pressa de voltar pro mar antes que a nuvem chegue.

Em Recife, no domingo de sol, a orla de Boa Viagem mistura sunga colorida com bermuda de time local — não europeu. O código é nordestino: cor como festa, não como exceção. Já em Garopaba, o turista paulista que desce no feriado leva duas peças na mochila e escolhe na hora conforme o vento. O Brasil inteiro cabe numa bolsa de praia, mas cada praia devolve um estilo diferente.

Duas observações finais de bancada: primeiro, tamanho importa mais que marca — sunga apertada ou folgada demais vira problema em dez minutos de caminhada na areia. Segundo, lavar com água doce logo após o mar prolonga a vida do elastano. Dicas óbvias? Sim. Ignoradas? O tempo todo.